Magia do Imaginário

Um blog para entreter a alma e o pensamento, passar o tempo a fazer "nada", deixar fluir tudo aquilo que nos passa dentro, sem fazer juízos, viver um momento de cada vez, só isso!

Dos meus para nós. Estava já em casa...

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Estava já em casa à espera que o meu pai chegasse para preparar o almoço e almoçarmos os dois. A minha mãe estava na escola, assim como os meus irmãos, só eu é que estava em casa. Estou na cozinha entretida com não sei o quê, ou talvez a tirar os pratos e talheres do armário para pôr na mesa, bom, de costas para o fogão. No fogão estava uma sertã a grelhar dois bifes com muito bom aspeto. E já sentia o cheirinho apesar do exaustor estar ligado. O meu pai andava pela casa a aspirá-la. Não tínhamos empregada na altura. A Guida Nova tinha ido embora para prosseguir um caminho com melhores perspetivas, o que aconteceu. Foi estando em contacto com a minha mãe. Com efeito, ainda fomos ao casamento dela. Foi um dia tão feliz para ela! Foi giro de ver. Depois ainda tivemos outra empregada, mas era um bocadinho malandra e então teve de ir embora. É verdade, ao lado da sertã, o meu pai punha sempre uma folha de jornal para não sujar os azulejos com o óleo aos salpicos. Chega à cozinha e num repente manda um berro «Ai, Gabi, sai daqui, isto pegou fogo!». Olho para trás sem grande reação e vejo o homem armado em bombeiro a apagar a folha de jornal incendiada com o pano e a pôr os restos que conseguia apanhar no lava-loiça. «Ufa, graças a Deus não foi aspirado pela exaustão! Tu não sentias o cheiro a queimado?», e eu respondi que não, estava tão entretida que nem dei conta de nada. E, pronto, era urgente arranjar alguém lá para casa ou o meu pai ainda pegava fogo à casa. E assim veio a Sra. Rosa. Sra. Rosa, sim, porque era assim que a tínhamos de tratar. Mais tarde, veio a moda da D. Rosa, mas o Sra. já fazia parte do nome, não era um mero título e ficava muito estranho e distante tratar uma senhora tão importante nas nossas vidas por D. Rosa. Qual D. Rosa, então, é tia Rosa!! «Isso, ainda melhor!» reage logo a minha mãe. Então é tia Rosa e será sempre, a minha querida tia Rosa, que nunca esquecerei e a terei irremediavelmente no meu coração para esta e as outras vidas. A pessoa que cuidou de todos nós, sempre, com toda a dedicação e amor. Pessoas assim, são raras! E eu estou grata à vida por me ter dado tantas pessoas maravilhosas, mas a tia Rosa era a tia Rosa e ponto!

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