Sai uma pedrinha pelo ar, faz pontas a dançar na água e, em último salto profundo, imerge e junta-se à concorrência no fundo da água. Faz uma bola que pula no meio de alguns anéis a boiarem em degradê e tento alcançar o fundo com o olhar. A imagem treme muito e não consigo ter a definição rigorosa da pedrinha que alcançou o chão do mar ao lado de tantas outras pedrinhas e pedregulhos que lá jazem. Vislumbro pedras de cores diferentes, umas parecem lisas, outras com aparência irregular e algumas com vários pequenos pontos de brilho. A água é transparente naquele local sem algas e está quase a contrariar qualquer movimento ondulante, então, apareço dentro dela ou mais magra ou mais gorda, mais estendida ou mais comprimida. Junto os dedos indicadores respetivos de cada mão e faço-os tocar no limiar das duas diferentes dimensões. Ganho noção dos dedos que vêm do interior da água e consigo vê-los a sair dela na minha direção para me orientarem nos movimentos. Sinalizam para me balançar com a ligeira agitação da água que mais parece um lago e assim faço. Continuam a subir em direção ao rosto. Um dedo cruza os meus lábios e para, como que a pedir para não dizer nada, permanecer em silêncio. O outro toca-me no meio da testa duas vezes ao de leve. E eu deixo-me cair na vertical, mergulhando e voltando a unir-me à sombra submarina, repondo os dedos no seu sítio original. Saio da água em pulo renovador, não olho mais para baixo, olho em frente e saio revigorada do exercício ensaiado. Estendo a toalha e deito-me nela refrescada neste dia de sol maravilhoso!
O cubo mágico. Sai uma pedrinha pelo ar…
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Publicado há 8 horas
• O cubo mágico
Gabi
2 min