Magia do Imaginário

Um blog para entreter a alma e o pensamento, passar o tempo a fazer "nada", deixar fluir tudo aquilo que nos passa dentro, sem fazer juízos, viver um momento de cada vez, só isso!

Não importa se estive ou não. Que jantar...

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Que jantar fabuloso. Não sou de hambúrgueres, mas dobro o corpo em forma de vénia ao hambúrguer que comi. Delicioso! O molho das batatas fritas era excelente! Não sei como o fizeram, porque não percebo nada de degustação de alimentos e não tenho ideia como podem ser combinados e cozinhados os ingredientes. Bebo um sumo de laranja com gás, para ajudar à digestão.

Bolas, acabo de me lembrar de uma coisa e nem sei como me fui lembrar de repente disto.

Vasculho por entre as folhas de todos os meus rabiscos e encontro umas coisas escritas à máquina. Lembro-me de ainda não serem famosos os computadores e, por isso, não propriamente um objeto procurado pelo cidadão comum, e sim o uso de máquinas de escrever sofisticadíssimas, de várias marcas e feitios. Mas a que tinha na altura era daquelas velhinhas, barulhentas, totalmente manuais e sem corretor.

Sentia-me uma pessoa mais crescida e profissional quando nela escrevinhava pensamentos, na varanda, ao som e vento do voo das rolas soltas e bafo do ar retido pelas janelas fechadas da armação instalada. Depois de alguns minutos de literacia, tinha de apressar-me a limpar os resquícios libertados pelas meninas e meninos voantes durante o breve recreio. Mas, antes, lavava devidamente as gaiolas para eliminar cheiretes e pivetes incomodativos.

Lembro-me do meu Putchy. Rola macho, cheio de vigor e energia tanta que, ainda borracho, andava para trás e de lado como os caranguejos e se estatelou no chão, caído de um armário, onde o tinha colocado em segurança, pensava eu. Partiu uma pata e passou a caminhar para trás, de lado e a precisar de muletas. Batia as asas à medida que crescia e tentava atirar-se no seu primeiro voo. Em cima do armário, atirava-se. A irmã, mais velha, fina, esperta e ágil, elevava-se no ar, batia sem esforço as pequenas asas e lá ia, de vaso em vaso, em rotina de treino. O pobre Putchy, enervado, tentava seguir-lhe os passos ou o voo. Atirava-se do armário, batia nervosamente as suas asas e caía em espiral até ao chão… um dia, conseguiu! Valeram as mil e uma tentativas e o comprimido para a asma. Sim, coitado, também era asmático. Conseguiu voar e também conheceu o destino de voar de vaso em vaso. Foi o último sobrevivente e o meu “rolinho” querido. Lembro-me de chorar a sua partida.

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