Da tormenta e dos rápidos!
Estou sentada no banco de um parque a contemplar o amplo lago à minha frente a ouvir música composta pelos passarinhos de várias cores que emitem sons distintos e sonantes, autênticos cânticos de primavera que alegram o espírito num dia internamente cinzento.
Um ruído estranho interferente desperta-me das memórias e pensamentos que me assolam e leva-me a rodar o corpo para trás para ver o que se passa. Não tinha dado conta da existência de uma espécie de porta quase transparente e oculta aqui, quando cheguei.
Levanto-me e aproximo-me para melhor observá-la.
Uma porta que me suscita um portal de acesso e que me convida a entrar ao abrir-se.
A curiosidade leva a melhor e eu avanço uns passos lá para dentro. A porta fecha-se suavemente, só com um leve clique. Percebo o contorno das paredes, do chão e do teto de um espaço que parece confinado, embora ainda consiga ver o parque, tal como o conheço. Uma voz diz-me: - fecha os olhos!
Fecho os olhos e, internamente, sinto-me naquilo que descrevo como um espaço fechado, iluminado por uma luz vermelha escura à semelhança de uma boîte, se é que ainda se utiliza este nome.
Em segundos, o espaço composto pelas quatro paredes transforma-se numa cascata que se desenrola em rápidos que correm através dos meus pés e me chapinha água desde cima. A toda a volta do meu corpo sinto vento a formar um tornado que me prende os movimentos e me eleva no ar.
Ouço apenas o barulho dos rápidos e da tormenta provocada pelo vento intenso. Não penso, desfruto apenas!
Sinto-me descer e pousar os pés em terra firme. Os rápidos desaceleram e a tormenta acalma até ao mais profundo silêncio. Abro os olhos, vejo o parque iluminado pelo sol e as cores diversas, sorrio e vou embora.