Atravesso a ponte!
Estou a chegar à ponte que me leva à outra cidade. Uma cidade, que quando dourada pelo sol, brilha e sorri através dos edifícios com janelinhas e portas às cores, pombas em bando a cobrir parte da paisagem, e contrasta com o azul ou verde intenso, não consigo decidir-me, do rio que corre lá em baixo, compassado e a luzir, com ondulação movimentada pelas embarcações e motos de água a propagar um certo murmúrio de verão.
Ia continuar, mas detenho-me na tentativa de dar o passo e entrar nela. Fico ali de pé, a rodar sobre mim mesma, à espera de haver um ser maior que me leve, que me empurre ou que me puxe.
Olho para diante e sinto que sou observada e criticada. Mas ela vai ficar ali parada? Anda lá, segue, vai em frente, avança… Olham para mim a querer dizer-me qualquer coisa, mas só os olhos conseguem falar e eu consigo vê-los a desafiar-me, mas não ouço vozes. Sinto uma lágrima a cair pelo meu rosto. Levo a mão à cara para limpá-la, só que não quero… não quero limpá-la já, quero senti-la a escorrer, quero percebê-la melhor, por que se formou, de onde saiu, o que quer. Todos os olhos piscam intensamente e despertam-me desta sensação imensa de não conseguir agir. E então, eu ajo. Eu dou o passo, vou em frente, contemplo a paisagem enquanto avanço, sou acarinhada pela brisa, e então, sim, atravesso a ponte!