No desafio... o Ímpeto!
Descanso no sofá reclinável. Está um dia horrível lá fora e eu, ali, consoladinha, confortável a olhar para a tela que se me apresenta como minha sala. Olho para a sala e penso que continuo a gostar de lá estar a olhar para ela. Não é que tenha mau ou bom gosto, mas gosto dela! Já a vi de várias formas, perspetivas e ângulos e a minha é mesmo a minha sala. Sinto-me bem, sinto que faço da minha casa verdadeiramente minha e não há melhor sítio onde me possa sentir, senão nela. Olho para o lado onde tenho depositadas umas dezenas de revistas de decoração. Adoro decoração. Se eu calculasse o total já investido só neste tipo de revistas… ui… melhor não! A minha decoração reside sobretudo em peças que me são caras a mim, não porque sejam caras em si mesmas. Tudo acaba por ser um pedaço de mim mesma e de pessoas que compõem a minha existência.
Nesta sensação calma e serena, sobressai uma nota que desafia tudo o que está à minha volta. Aí, desafio-me a sonhar outros espaços, a viver outros espaços, a querer viver outros espaços e a (re)inventar espaços. E, de repente, abro várias dimensões paralelas e vivencio todas as impressões que recolho de todos eles.
Num momento estou numa sala ampla, moderna, sofisticada com janelões automáticos que abrem para o terraço com piscina e verdura, no outro, salto para uma cabana de praia, requintada, onde contemplo uma lareira, aconchegada, a olhar o mar em luta, para logo saltar para uma sala mediana, de estilo do campo, a tentar, com a mão, agarrar a linha que limita o olhar pelos montes e vales. Estou no pico dos Alpes e, num ímpeto, atiro-me na esperança de cair descontraída num dos lagos. Aterro no meu sofá reclinável e volto a olhar em volta. Estou bem, estou segura, estou onde gosto.