Mando servir o jantar no quarto, porque resolvo não sair do meu conforto e solidão. Pego no meu caderninho elevado a diário e começo a ler o que escrevi para trás… não… decido rebuscar ainda um passado mais antigo e abro o meu diário de teenager. Sim, esqueci-me de dizer que os trouxe todos comigo… na falta de mais leitura, estes seriam os livros ideais para me entreter comigo mesma, com a minha própria história.
Como era ignorante na altura, até para a idade que tinha! Muito inocente e cheia de preconceitos. Aquelas paixonetas que parece que vão ser o desfecho da nossa vida… as de inverno e as de verão… as oscilantes e as mais frequentes! As meio concretizadas e as que viveram apenas em dúvidas constantes de medo e de desafios de força e atenção. Para mim, tudo ficou ali, retido, naquele passado.
Depois de ler alguns pedaços, rio-me de mim mesma e abano a cabeça, várias vezes, como que a negar a inteligência da altura. Contudo acabo por me rever ainda nalguns passos. A inconstância dos sentimentos e a tentativa de os definir e redefinir, ou a troca de algumas impressões de vontade e não vontade a terem como termo a contradição, e o desfecho do dia com palavras de autocomiseração, consolo e orientação.