Mais uma manhã deliciosamente calórica. Um dia com algumas paragens. O casal anfitrião resolveu levar-me a visitar alguns castelos da região. O que não falta em muitos países, sobretudo da Europa é castelos para visitar. E todos eles têm a sua marca distinta. Há os mais antigos de que restam apenas ruínas, que datam da Era Medieval, e os mais recentes que parecem quase intactos. Presentearam-me com uma visita aos mais antigos. Depois, ainda há os lagos… não sei porque gostamos tanto de lagos. Não são nem nunca serão o mar com o seu horizonte imenso, ininterrupto… mas, em oposição, produzem magias de acalmia e reflexão, sente-se um magnetismo consequente de histórias absolutamente confinadas àquele espaço, romances intensamente vividos e impossíveis, plena felicidade de alcance total e sofrimento resultante da expiação dos pecados sonhados, de um amor puro e intacto que tem de voltar ao todo mundano, perdendo-se ali para sempre… tornando-se apenas essência de um ser que não pode existir.
Consigo sentir arrepios no corpo e o estranho acalentar de uma luz que sinto focar-me.
“Lindo!” Não consigo dizer mais nada aos Robson, olho-os nos olhos e só me ocorre mudar o tom, perguntando-lhes se não haverá uma pastelaria por perto, porque deu-me uma vontade indefinível de comer uma fatia de bolo regional a acompanhar um chá quentinho. Eu adoro bolos, algo que não dispenso, esteja onde estiver.
Sol sobre céu azul intenso ornamentado por algumas nuvens e um rasgo de arco-íris, um chá e uma fatia de bolo tradicional. Dia terminado em beleza.